O guardião

Ficwriter: Jude Melody
HunterxHunter - drama - original
15 anos - aguardando continuação


Os olhos encaram-me nesta noite escura, como corvos famintos, como almas ocultas. Minha única companhia. O tom escarlate, sangue que corre em minhas veias, sangue derramado por aqueles que eu amava. Eles flutuam no cilindro de vidro, imersos em meus pesadelos. Como uma presa, eu conto os segundos de minha morte. A cada novo par, sinto que me perco mais um pouco. Pergunto-me quanto tempo me resta antes de eu enlouquecer.

A corrente que eu carrego, criada para realizar justiça, mais parece os grilhões de uma tortura infindável. Fui atrás dos olhos como uma escolha, mas a missão pesa em meus ombros como uma sentença. Não importa quão grande seja meu esforço, o sangue já foi derramado, já se infiltrou na terra. Agora, esse tom escarlate infiltra-se em mim, como o medo da presa na teia da aranha.

Eu posso me debater. Eu posso lutar. A dor não some jamais. O pesadelo não some jamais. Mais um par de olhos. Menos um pouquinho da minha sanidade. Sinto sede. Sinto fome. Quero vingança. Continuo meu caminho, preso pelos grilhões que eu mesmo criei. Preso a um passado que não posso alcançar. Preso a uma lembrança que não me pertence. Os olhos de Pairo. As mãos de meu pai. O sorriso de minha mãe.

Por que tenho de passar por esse sofrimento? Por que tenho de me sentir tão só? Por que me sinto tão indefeso, apesar de ficar cada dia mais forte? Por que o medo sobe por minha garganta, denso como o fogo dos olhos que me encaram nesta noite? A dúvida. A dor. Elas me preenchem. Amargas. Perversas.

Mais um par de olhos. Menos um pouquinho da minha felicidade. A cada segundo que passa, eu me sinto menos são. A cada minuto que passa, eu me sinto mais sozinho. Minha única companhia são os cilindros sem vida que gelam minhas mãos. Há tanto tempo eu luto. Há tanto tempo eu persisto.

Tenho meu próprio castelo agora. Cilindros empilhados como se fossem cartas, iluminados pela luz cálida das velas. Eles são meu lar. Eles são minha família. Eles são tudo o que restou de mim. Um sorriso frágil surge em meu rosto. Sinto uma lágrima descer por minha face quente. Eu sou o guardião desses olhos escarlates. Eu os salvei todos de um destino cruel e incerto. Mas quem vai me salvar de mim?

 

 



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