Quando eu não te vejo

Ficwriter: Jude Melody
HunterxHunter - drama - original
12 anos - yaoi/male slash, spoiler - completa


Após Hisoka deixar o pequeno hospital, Kurapika levantou-se da cama. Suas pernas cambalearam devido à cegueira. O mundo escuro era uma novidade que o Kuruta recebia com desgosto. Ele tateou a parede, buscando o caminho, e teve uma leve surpresa quando encontrou os braços.

— Ei — disse Leorio —, tome cuidado. Não vá se machucar.

— Eu só não estou enxergando direito, Leorio — resmungou Kurapika, tentando se desvencilhar do toque.

— Você está cego.

— Momentaneamente.

Os braços afastaram-se. Pelo som resignado, Leorio estava passando a mão por seus cabelos.

— Estou preocupado com você.

O Kuruta balançou a cabeça.

— Não precisa ficar. Vamos. Temos de ir atrás do Gon e do Killua para avisá-los sobre Omokage.

Ele se afastou de Leorio para pegar suas roupas. Vestir seu tabardo nunca parecera tão difícil. Kurapika atrapalhava-se no processo quando sentiu o toque outra vez, um calor suave sobre seus ombros.

— Eu posso fazer isso sozinho, Leorio.

— Deixe-me ajudar. Está vestindo a roupa do avesso.

Como se fosse criança, o Kuruta permitiu que o mais velho o vestisse. Era vergonhoso, mas ao mesmo tempo agradável. Os movimentos de Leorio transmitiam um carinho que ele há anos não sentia. Talvez, se pudesse enxergar, não permitisse aquela proximidade.

— Pronto.

Kurapika alisou suas roupas.

— Obrigado.

— Ei.

O toque agora era em seu rosto. Kurapika sentia o calor das mãos de Leorio em suas bochechas. Ergueu o queixo suavemente. Apesar da cegueira, ele conseguia ver o semblante tranquilo. Conseguiria vê-lo mesmo na mais profunda escuridão.

— Vai dar tudo certo — sussurrou o Paradinight. — Eu estarei aqui com você. Juntos, vamos recuperar os seus olhos. E salvar o Pairo do que quer que seja.

Kurapika não respondeu. Ao menos não com palavras. Ele nunca soube ao certo se o movimento fora dele ou de Leorio. Só percebeu que a ordem de seu mundo se perdera quando sentiu os lábios. Eram tão quentes e macios contra os seus e tinham um leve gosto de café, uma das bebidas prediletas do mais velho. Amargo, mas doce. Talvez a cegueira o estivesse levando ao delírio...

Afastaram-se.

— Nenhuma palavra sobre isso — sussurrou o Kuruta.

Leorio assentiu. Juntos, eles deixaram o hospital.

 

 

















Comentar Este Texto VIA FF-SOL
 

 

 

 


Esta página faz parte do site FF-SOL