Em nome do pai

Ficwriter: Jude Melody
HunterxHunter - drama - original
12 anos - completa


Ele aparecera sem aviso, trazendo a criança em seus braços. Estava sério, como sempre fora. Nem mesmo a tristeza brilhava em seus olhos quando entregou as fronhas que envolviam o pequeno ser. Sua despedida foi um simples virar de costas que quebrava as expectativas como um gato que empurra uma jarra vazia para fora da mesa. Mito abraçou o bebê com lágrimas nos olhos. A dor do abandono cumprimentava-a outra vez.

Passaram-se os anos. A criança cresceu. A cada dia, ela era mais Ging. Obstinada, marcada por uma inabalável teimosia, não se deixava lamuriar por qualquer infelicidade. Corria pela floresta, fazendo amizade com os bichos e se deliciando nas águas dos lagos. Voltava para casa ao anoitecer, suja das orelhas até a pontinha dos dedos dos pés. E que sorriso trazia em seu rosto!

O menino cresceu e tinha os olhos de Ging. Vívidos e repletos... De esperança? De alegria? Não... De fome. Ele tinha fome de aventuras, tinha fome de viver. Os dias que passava na Ilha da Baleia eram bons, mas não tinham aquele feeling, aquele sabor de perigo e conquista. Mito tentava não chorar. Não era de seu feitio chorar. Mas ela sentia medo. Ela sentia o medo que o filho de Ging desconhecia.

Em uma manhã ensolarada, ele finalmente se foi. Partiu sozinho para conhecer o mundo. Ficou longe de casa por meses. A casa não tinha sons sem o seu sorriso. Mas a vida continuava. Mito cuidava da loja, arrumava os quartos. Que saudade quando alisava o travesseiro em que a cabeça do menino costumava dormir! O tecido ainda tinha o cheiro dele, ainda tinha...

Depois de uma eternidade, o menino voltou. Trazia consigo um amigo que conhecera durante suas viagens. Que gosto dava ver aqueles dois! Provocavam-se o tempo todo, batiam-se e empurravam-se sem parar. Não sossegavam nem mesmo quando chegava o momento de dormir. Deitada em sua cama, Mito ouvia as risadas e os sussurros mal contidos. Ela sorria, sorria porque sua casa estava viva outra vez.

Mas o garoto tornou a ir embora... A fome em seus olhos não cessara. Ele era Ging. Não era a mãe. Não era a tia. Era o pai. E, como o pai, encarava o mundo de peito aberto. Venha o que vier! Aceito tudo, tudo. Nada me abala. Nada me derrota. A vida é uma aventura. Apenas viva essa aventura. Viva o presente antes que se acabe o seu futuro.

E Mito chorava.

De saudade. De orgulho. De tristeza. A idade torna as pessoas mais sentimentais. Enquanto cozinhava, perdia os pensamentos na foto fixada na porta da dispensa. O menino de cabelos negros. O menino de olhos âmbares. O menino que tinha fome. O filho de Ging.

 

 

















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